{"id":328,"date":"2013-07-02T16:06:00","date_gmt":"2013-07-02T19:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/daslutas.wordpress.com\/?p=328"},"modified":"2013-07-02T16:06:00","modified_gmt":"2013-07-02T19:06:00","slug":"nos-podemos-sentir-o-cheiro-do-gas-lacrimogenio-do-rio-e-de-taksim-a-tahrir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/?p=328","title":{"rendered":"N\u00f3s podemos sentir o cheiro do g\u00e1s lacrimog\u00eanio do Rio e de Taksim a Tahrir."},"content":{"rendered":"<p>Por Camaradas do Cairo*<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Em todos os lugares nos chamam de bandidos, v\u00e2ndalos, saqueadores e terroristas. N\u00f3s lutamos mais do que contra a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a crua viol\u00eancia policial ou um sistema legal ileg\u00edtimo. N\u00e3o \u00e9 por direitos ou por reformas c\u00edvicas que n\u00f3s lutamos. N\u00f3s nos opomos ao Estado Nacional como ferramenta centralizada de repress\u00e3o que permite a uma elite local sugar as nossas vidas e a poderes globais a conservarem o seu dom\u00ednio di\u00e1rio sobre nossas vidas.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_329\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t122150z_989957293_gm1e96u1kar01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-329\" class=\"size-full wp-image-329\" alt=\"Manifestante em uma cadeira de rodas durante protesto contra o presidente eg\u00edpcio Mohammed Mursi na pra\u00e7a Tahrir, no Cairo, 30\/06\/2013 (Foto: REUTERS\/Mohamed Abd El Ghany)\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t122150z_989957293_gm1e96u1kar01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg\" width=\"547\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t122150z_989957293_gm1e96u1kar01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg 620w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t122150z_989957293_gm1e96u1kar01_rtrmadp_3_egypt-protests-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-329\" class=\"wp-caption-text\">Manifestante em uma cadeira de rodas durante protesto contra o presidente eg\u00edpcio Mohammed Mursi na pra\u00e7a Tahrir, no Cairo, 30\/06\/2013 (Foto: REUTERS\/Mohamed Abd El Ghany)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:justify\">Para voc\u00eas que lutam do mesmo lado que n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O dia 30 de junho ir\u00e1 marcar para n\u00f3s uma nova etapa de rebeli\u00e3o, que come\u00e7amos a construir em 25 e 28 de janeiro de 2011. Desta vez nos rebelamos contra o reinado da Irmandade Mu\u00e7ulmana, que apenas intensificou as mesmas formas de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, de viol\u00eancia policial, de tortura e de matan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Men\u00e7\u00f5es \u00e0 chegada da \u201cdemocracia\u201d n\u00e3o t\u00eam relev\u00e2ncia quando n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de se viver uma vida decente com algum sinal de dignidade e de meios decentes de sustento. Reivindica\u00e7\u00f5es de legitimidade por meio de um processo eleitoral divergem da realidade de que no Egito a nossa luta continua, porque encaramos a perpetua\u00e7\u00e3o de um regime opressor que mudou a sua cara, mas que mant\u00e9m a mesma l\u00f3gica de repress\u00e3o, austeridade e brutalidade policial. As autoridades mant\u00eam a mesma falta de considera\u00e7\u00e3o para com o povo, e ocupar posi\u00e7\u00f5es de poder traduz-se em oportunidade de aumento de poder e riqueza pessoais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O dia 30 de junho renova o grito da Revolu\u00e7\u00e3o: \u201cO Povo Quer a Queda do Sistema\u201d. N\u00f3s buscamos um futuro que n\u00e3o seja governado nem pelo pequeno e fechado capitalismo da Irmandade Mu\u00e7ulmana, nem por um aparato militar que mantenha estrangulada a vida pol\u00edtica e econ\u00f4mica, nem pelo retorno \u00e0s velhas estruturas da \u00e9poca de Mubarak. Mesmo que as fileiras de manifestantes que tomar\u00e3o as ruas em 30 de junho n\u00e3o estejam unidas em torno desta convoca\u00e7\u00e3o, isto precisa ser nosso, esta precisa ser a nossa postura, porque n\u00e3o aceitaremos um retorno aos tempos sanguin\u00e1rios do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Embora os nossos la\u00e7os ainda estejam fracos, n\u00f3s extra\u00edmos esperan\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o das recentes revoltas, em especial as da Turquia e do Brasil. Cada qual nasceu em realidades econ\u00f4mica e politicamente diferentes, mas temos sido todos governados por pequenos grupos cuja cobi\u00e7a tem perpetuado uma falta de vis\u00e3o de qualquer bem para o povo. N\u00f3s nos inspiramos na organiza\u00e7\u00e3o horizontal do Movimento Passe Livre, fundado na Bahia em 2003, e nas crescentes assembleias p\u00fablicas em Taksim.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No Egito, a Irmandade d\u00e1 apenas uma apar\u00eancia de religiosidade ao sistema, enquanto que a l\u00f3gica de um neoliberalismo concentrado esmaga o povo. Na Turquia, uma estrat\u00e9gia de agressividade do setor privado cresce na mesma medida em que se traduz em um regime autorit\u00e1rio: a mesma l\u00f3gica da brutalidade policial como arma prim\u00e1ria de opress\u00e3o \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o e a qualquer tentativa de vis\u00f5es alternativas. No Brasil, um governo enraizado em uma legitimidade revolucion\u00e1ria provou que o seu passado \u00e9 apenas uma m\u00e1scara que ele veste enquanto \u00e9 c\u00famplice da mesma ordem capitalista que explora igualmente o povo e a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Estas recentes manifesta\u00e7\u00f5es compartilham do mesmo esp\u00edrito de luta das muito mais antigas e constantes batalhas dos Curdos e dos povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Sul.\u00a0 Por d\u00e9cadas, os governos da Turquia e do Brasil tentaram, sem sucesso, extinguir esses movimentos de luta pela vida. Sua resist\u00eancia ao Estado repressor foi a precursora das novas ondas de protesto que se espalharam pelos territ\u00f3rios turco e brasileiro. N\u00f3s vemos uma urg\u00eancia no reconhecimento da profundidade das lutas de cada um e buscamos formas de rebeli\u00e3o que se disseminem em novos espa\u00e7os, vizinhan\u00e7as e comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nossas lutas compartilham um potencial de oposi\u00e7\u00e3o ao regime global das na\u00e7\u00f5es unidas. Tanto na crise como na prosperidade, o Estado \u2013 no Egito seja sob o regime de Mubarak, a junta militar, ou sob o da Irmandade Mu\u00e7ulmana \u2013 continua a desapossar e a passar por cima dos direitos a fim de preservar e expandir a riqueza e os privil\u00e9gios daqueles que est\u00e3o no poder.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nenhum de n\u00f3s est\u00e1 lutando isoladamente. Nossos inimigos s\u00e3o os mesmos em Bahrain, no Brasil, na B\u00f3snia, no Chile, na Palestina, na S\u00edria, na Turquia, no Curdist\u00e3o, na Tun\u00edsia, no Sud\u00e3o, no Saara Ocidental e no Egito. E a lista continua. Em todos os lugares nos chamam de bandidos, v\u00e2ndalos, saqueadores e terroristas. N\u00f3s lutamos mais do que contra a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a crua viol\u00eancia policial ou um sistema legal ileg\u00edtimo. N\u00e3o \u00e9 por direitos ou por reformas c\u00edvicas que n\u00f3s lutamos. N\u00f3s nos opomos ao Estado Nacional como ferramenta centralizada de repress\u00e3o que permite a uma elite local sugar as nossas vidas e a poderes globais a conservarem o seu dom\u00ednio di\u00e1rio sobre nossas vidas. Ambos trabalham em un\u00edssono com balas, a m\u00eddia e com tudo o mais que est\u00e1 entre. N\u00e3o estamos defendendo a unifica\u00e7\u00e3o ou a equipara\u00e7\u00e3o das nossas diversas batalhas, mas lutamos contra a mesma estrutura de autoridade e poder que temos que desmantelar e trazer abaixo. Juntos, nossa luta \u00e9 mais forte.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N\u00f3s queremos derrubar o Sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Camaradas do Cairo.<\/p>\n<div id=\"attachment_330\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t104041z_1778346306_gm1e96u1fsl01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-330\" class=\"size-full wp-image-330\" alt=\"Manifestante contra o presidente eg\u00edpcio Mohammed Mursi pinta a bandeira do pa\u00eds e escreve 'Saia' no rosto durante protesto na pra\u00e7a Tahrir, no Cairo, neste domingo (Foto: REUTERS\/Amr Abdallah Dalsh)\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t104041z_1778346306_gm1e96u1fsl01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg\" width=\"547\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t104041z_1778346306_gm1e96u1fsl01_rtrmadp_3_egypt-protests.jpg 620w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/2013-06-30t104041z_1778346306_gm1e96u1fsl01_rtrmadp_3_egypt-protests-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-330\" class=\"wp-caption-text\">Manifestante contra o presidente eg\u00edpcio Mohammed Mursi pinta a bandeira do pa\u00eds e escreve &#8216;Saia&#8217; no rosto durante protesto na pra\u00e7a Tahrir, no Cairo, neste domingo (Foto: REUTERS\/Amr Abdallah Dalsh)<\/p><\/div>\n<p>*Postagem original em: <a href=\"http:\/\/mrzine.monthlyreview.org\/2013\/egypt290613.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">http:\/\/mrzine.monthlyreview.org\/2013\/egypt290613.html<\/a><\/p>\n<p>Traduzido por Rafael Estrela para o Das Lutas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camaradas do Cairo* &#8220;Em todos os lugares nos chamam de bandidos, v\u00e2ndalos, saqueadores e terroristas. N\u00f3s lutamos mais do que contra a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a crua viol\u00eancia policial ou um sistema legal ileg\u00edtimo. N\u00e3o \u00e9 por direitos ou por reformas c\u00edvicas que n\u00f3s lutamos. 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