{"id":493,"date":"2013-07-30T23:12:52","date_gmt":"2013-07-31T02:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/daslutas.wordpress.com\/?p=493"},"modified":"2013-07-30T23:12:52","modified_gmt":"2013-07-31T02:12:52","slug":"novas-invencoes-redes-corpos-ruas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/?p=493","title":{"rendered":"Novas inven\u00e7\u00f5es: redes-corpos-ruas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_504\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/protestom_em_vitoria__f51e852362.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-504\" class=\"size-medium wp-image-504  \" alt=\"protestom_em_vitoria__f51e852362\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/protestom_em_vitoria__f51e852362.jpg?w=300\" width=\"300\" height=\"229\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/protestom_em_vitoria__f51e852362.jpg 600w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/protestom_em_vitoria__f51e852362-300x229.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-504\" class=\"wp-caption-text\">Protesto em Vit\u00f3ria &#8211; ES<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/07\/protestom_em_vitoria__f51e852362.jpg\">por Henrique Gluck *<\/a><\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;H\u00e1 algo novo nascendo nas redes sociais, as digitais e as de corpo presente, que tamb\u00e9m est\u00e3o se transformando em experimenta\u00e7\u00f5es para novas formas de autoprodu\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o coletivas. \u00c9 a tecnologia usada como ferramenta para novos encontros, e a pot\u00eancia desses encontros \u00e9 o fortalecimento de redes que v\u00e3o diversificando as formas de agir, de ser e interagir no mundo.&#8221;\u00a0<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A grande imprensa e o Estado vem praticando uma narrativa policial e uma ladainha moral que tenta esvaziar o sentido pol\u00edtico de uma manifesta\u00e7\u00e3o popular leg\u00edtima que emerge da falta de credibilidade nas institui\u00e7\u00f5es ditas democr\u00e1ticas. A agressividade nas ruas tem um alvo que parece ser bem definido e um recado a ser dado. Apesar de n\u00e3o passarem nem perto da pauta dos grandes jornais, os componentes de luta anticapitalista est\u00e3o mais que evidentes. Parece que \u00e9 algo sobre o qu\u00ea n\u00e3o se pode falar, pode ser perigoso demais despertar pensamentos t\u00e3o incendi\u00e1rios. As pessoas desejam participar mais da constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da cidade e s\u00e3o marginalizadas de maneira sorrateira, sem sequer serem ouvidas. A press\u00e3o aumenta e o que entornou nas ruas foi o transbordamento de um descontentamento geral, os milhares que est\u00e3o ocupando os espa\u00e7os p\u00fablicos representam muito mais o povo como um todo do que os que se dizem seus representantes legais. Mas a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais essa, que envolve representar ou n\u00e3o. \u00c9 tempo de se apresentar, se tornar presente e reconquistar o que \u00e9 p\u00fablico, o que \u00e9 de todos.<\/p>\n<p>Pac\u00edficos e n\u00e3o pac\u00edficos est\u00e3o ali, juntos, na multid\u00e3o. Criminalizar \u00e9 identificar, personalizar e podem criminalizar um indiv\u00edduo, mas n\u00e3o a multid\u00e3o. N\u00e3o se trata de promover destrui\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre muito mais importante construir afirmativamente e fortalecer redes e atitudes criativas. Por outro lado, a agressividade n\u00e3o surpreende, como rea\u00e7\u00e3o tanto \u00e0 viol\u00eancia policial oficial e \u00e0 paisana (P2) quanto \u00e0 apatia fleum\u00e1tica e disciplinada que aceita a servid\u00e3o volunt\u00e1ria do mundo moderno passivamente. As pessoas est\u00e3o na rua por terem a percep\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o enganadas, roubadas e exploradas. Sabem que produzem a riqueza que \u00e9 expropriada por diversos meios: sistema financeiro, Estado, e megacorpora\u00e7\u00f5es que dominam os mercados. Mais adequado seria perguntar: Por que n\u00e3o fizeram isso antes? Mas os entrevistados ou os que recebem o <i>close<\/i> das c\u00e2meras comentados por um especialista em seguran\u00e7a s\u00e3o os \u00a0atos e indiv\u00edduos criminalizados, ao inv\u00e9s dos cortejos de desempregados, precariados, revoltados com as remo\u00e7\u00f5es, v\u00edtimas de viol\u00eancia policial, indignados em geral.<\/p>\n<p>Despolitizar e criminalizar: o Estado policial \u00e9 o clich\u00ea neoliberal mais grotesco. Sua reprodu\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s das narrativas simplistas e dicot\u00f4micas veiculadas pelo quarto poder. As m\u00eddias de comunica\u00e7\u00e3o de massa s\u00e3o dominadas por apenas seis fam\u00edlias no Brasil e alguns pol\u00edticos s\u00e3o donos de redistribuidoras de sinal (Sarney e Jader Barbalho, por exemplo). Enquanto eles omitem os fatos e repetem mentiras tantas vezes para parecer verdade, as assembleias est\u00e3o se organizando. O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 perturbador para eles e \u00e9 claro que o governo e a m\u00eddia d\u00e3o as m\u00e3os pela manuten\u00e7\u00e3o do <i>status quo<\/i> da democracia representativa e pelo oligop\u00f3lio nas comunica\u00e7\u00f5es. V\u00e3o se defender contra qualquer coisa nova que ameace seu poder constitu\u00eddo. A mudan\u00e7a tem que ser radical, \u00e9 um conflito entre o poder popular instituinte e o poder estatal institu\u00eddo. Quem n\u00e3o quer dialogar? A discuss\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1 na mesa que foi posta pelo povo, mas est\u00e1 capturada e n\u00e3o d\u00e1 para discutir boletim policial. Mas transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica certamente d\u00e1. No entanto nem o governo e nem a m\u00eddia est\u00e1 colocando em pauta. N\u00e3o h\u00e1 como estancar a ferida enquanto a faca ainda corta a carne de todos n\u00f3s. O aumento do custo de vida, a viol\u00eancia do Estado, o desespero da d\u00edvida, a volta para casa que exaure o corpo no transporte caro demorado e ruim, quando a alma j\u00e1 foi roubada pela produ\u00e7\u00e3o do dia, tudo isso n\u00e3o tem a cara dos v\u00e2ndalos, \u00e9 o capitalismo e o controle administrativo da produ\u00e7\u00e3o vital que tem nos roubado o sono e os sonhos.<\/p>\n<p>Historicamente, o Estado sempre reagiu com muita viol\u00eancia quando pressionado por levantes populares. O que percebemos hoje \u00e9 um cuidado maior para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica e criar factoides para legitimar cada passo dado pela m\u00e1quina estatal com um discurso ensaiado da imprensa. Ou seja, h\u00e1 um c\u00e1lculo administrativo orquestrado para controlar a opini\u00e3o p\u00fablica e produzir fatos, como um jogo de cartas marcadas. De in\u00edcio, tentam identificar lideran\u00e7as, mas como isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel em uma organiza\u00e7\u00e3o distribu\u00edda em rede, a estrat\u00e9gia passa a ser criminalizar as a\u00e7\u00f5es coletivamente, e a \u201cforma\u00e7\u00e3o de quadrilha\u201d tem sido, com frequ\u00eancia, usada para tentar enquadrar as a\u00e7\u00f5es em uma tipifica\u00e7\u00e3o criminosa. A fixa\u00e7\u00e3o pelo crime e pelo criminoso \u00e9 sintom\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o entre o Estado policial e a imprensa. A grande imprensa tem omitido as informa\u00e7\u00f5es sobre viol\u00eancia policial e viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. H\u00e1 um acordo t\u00e1cito entre o governo e o oligop\u00f3lio da imprensa. Uma a\u00e7\u00e3o mais en\u00e9rgica do Estado j\u00e1 pode ser percebida pelos enunciados desse discurso, que come\u00e7a a produzir demanda por mais seguran\u00e7a e mais Estado. \u00c9 o mesmo discurso que sempre esteve \u00e0 mesa, arrotado como se fosse uma verdade insofism\u00e1vel, afinal, para alguns o \u201cdeu na Globo\u201d, ou \u201cdeu no rep\u00f3rter\u201d ainda soa como a palavra final. H\u00e1 ainda os que aprenderam a confiar na televis\u00e3o e nos jornais. Foram criados por uma caixa de luzes de modo t\u00e3o familiar quanto uma m\u00e3e, acostumaram-se a ver os jornais como a \u00faltima palavra em termos de fatos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outra gera\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 nasce pensando em rede e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais passiva diante da informa\u00e7\u00e3o, gente antenada nas ondas do <i>wi-fi<\/i>, nos programas de c\u00f3digo aberto (<i>softwares open source)<\/i>, nos sistemas de financiamento coletivo (<i>crowdfunding<\/i>) e <i>de<\/i> desenvolvimento de projeto coletivo (<i>crowdsoursing<\/i>), entre outras mirongas do <i>cyber<\/i>espa\u00e7o. H\u00e1 algo novo nascendo nas redes sociais, as digitais e as de corpo presente, que tamb\u00e9m est\u00e3o se transformando em experimenta\u00e7\u00f5es para novas formas de autoprodu\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o coletivas. \u00c9 a tecnologia usada como ferramenta para novos encontros, e a pot\u00eancia desses encontros \u00e9 o fortalecimento de redes que v\u00e3o diversificando as formas de agir, de ser e interagir no mundo. S\u00e3o mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es estruturais de trabalho, produ\u00e7\u00e3o de autonomia de m\u00eddia e livre informa\u00e7\u00e3o. A democracia nunca mais ser\u00e1 a mesma, a percep\u00e7\u00e3o do mundo em rede na era do compartilhamento j\u00e1 acontece e j\u00e1 \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o iminente, que n\u00e3o vai demorar para transformar radicalmente a vida por aqui. S\u00e3o os fluxos que se liberam do fixo e das tentativas de captura de sua energia vital. Essa for\u00e7a livre, ao mesmo tempo criadora e destruidora, est\u00e1 a\u00ed com a pot\u00eancia de um tsunami inesperado a arrastar velhas estruturas de poder com suas \u00e9ticas verticais. O que se produz nas rela\u00e7\u00f5es \u00e9 a vida. O capital transforma a vida em mais-valia e nos mata ao nos alienar de nossa pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o-vida. O povo na rua \u00e9 a retomada da vida ao seu rumo como fluxo, e n\u00e3o como fixo. A vida \u00e9 insubordin\u00e1vel \u00e0 norma, a \u00fanica norma que fica \u00e9 a que afirma a vida. O desejo carrega tudo que nega o tempo, como um rio que se renova no pr\u00f3prio espa\u00e7o que ocupa.<\/p>\n<p>Preocupa a muitos saber qual \u00e9 a pauta do movimento que est\u00e1 nas ruas, mas isso emerge como falso problema. Sabem muito bem o que n\u00e3o querem, negam a representa\u00e7\u00e3o e afirmam, em seu lugar, a multiplicidade de pautas e desejos que comp\u00f5em mais aproximadamente a complexidade e a pluralidade da realidade. Se fizermos outro modelo de democracia, no estilo instant\u00e2neo e sem sentarmos para um debate que inclua a todos e todas, isso ser\u00e1 persistir em um erro. N\u00e3o deve ser um privil\u00e9gio pol\u00edtico a gest\u00e3o da riqueza e dos recursos produzidos pela for\u00e7a coletiva de todos. Enquanto pol\u00edticos e grandes empres\u00e1rios decidirem o futuro da humanidade, n\u00e3o haver\u00e1 a verdadeira democracia e n\u00e3o adiantar\u00e1 reform\u00e1-la. A possibilidade de uma democracia plena (n\u00e3o a burguesa) est\u00e1 fazendo for\u00e7a para nascer sem ser abortada pelas for\u00e7as reativas que tentam resistir \u00e0 pot\u00eancia vital que explode nas ruas.<\/p>\n<p>O termo democracia (<i>demo<\/i> = povo e <i>cracia<\/i> = poder) nasceu na Gr\u00e9cia, ber\u00e7o do mito dos deuses do Olimpo. O implac\u00e1vel Cronos (deus do tempo) devorava seus filhos, pois sabia que um deles lhe tiraria o poder. Mas a esposa do deus tirano conseguiu esconder a crian\u00e7a do marido, dando-lhe uma pedra no lugar do filho, e esse (Zeus) libertou da barriga do pai os seus irm\u00e3os devorados, que, ao se tornarem livres, derrotaram o deus do tempo e se estabeleceu o novo, o Olimpo, o governo dos irm\u00e3os. No eterno retorno do mito, o que se repete sempre \u00e9 o inaudito, o excesso que derruba a norma e instaura a normatividade, ou seja, a atividade criativa de afirmar novos paradigmas.<\/p>\n<p>Que as assembleias nas pra\u00e7as, nas comunidades e nos condom\u00ednios virem do avesso o poder do Estado. Em cada encontro \u00e9 percept\u00edvel o desejo de criar conex\u00f5es que se fortalecem em atos e atitudes, comp\u00f5em o corpo vivo e aberto ao mundo, que nasce como coletivo em coletivos. \u00c9 a microrrevolu\u00e7\u00e3o, o monstro sem nome, a multid\u00e3o que dissolve o macro para tornar tudo fluxo e, do fluxo, afirmar a vida onde teimam em reduz\u00ed-la a capital, mercadoria, fetiche. A transgress\u00e3o ultrapassa o limite e for\u00e7a a linha que nos divide para ir al\u00e9m. Al\u00e9m do ego, um eco, al\u00e9m do eco, um coro, al\u00e9m do coro, cora\u00e7\u00f5es e ritmos que entoam a vida como obra coletiva. A pedrada no vidro d\u00f3i na propriedade privada, no bolso do burgu\u00eas e do \u00e1vido aspirante a tal gozo individual, mas o tiro de fuzil na favela que mata de gra\u00e7a e n\u00e3o d\u00f3i no peito da senhora do Leblon, d\u00f3i na empregada dom\u00e9stica que perde o filho e a esperan\u00e7a. Enquanto a cidade estiver partida, o \u00fanico lugar de encontro se torna o abismo. Portanto, \u00e9 criando pontes, e n\u00e3o muros, que se faz democracia. Quando o novo chegar, definitivamente, n\u00e3o vai pedir licen\u00e7a para nenhuma autoridade.<\/p>\n<p>A tirania sofisticou as formas de controle dos corpos, suavizaram a maneira como exercem poder e chamam isso de democracia, ousam dizer que isso \u00e9 liberdade. Mas muitos j\u00e1 sabem como funcionam os mecanismos de controle e j\u00e1 aguardam, insones, o momento de cessar com todo esse sofrimento, imposto como estrangulamento de nossa pot\u00eancia livre pelo poder de captura capitalista das rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. O gigante n\u00e3o vai acordar, ele morreu, somos os devorados saindo de dentro de seu cad\u00e1ver e temos que cort\u00e1-lo logo, enquanto outros ainda teimam em se alimentar dele. O jantar foi indigesto, como Midas, ele queria transformar tudo em ouro, mas o vil metal lhe foi mortal. O gigante morto ser\u00e1 o capital? N\u00e3o sei, mas n\u00e3o tente mais acord\u00e1-lo. Com ele morto, \u00e9 a vida que segue. J\u00e1 passou o tempo dos gigantes, como disse o her\u00f3i ao gigante de um olho s\u00f3: \u201cmeu nome \u00e9 ningu\u00e9m\u201d. Como ningu\u00e9m pode ser encontrado, somos todos multid\u00e3o. Horizontal sem estar deitado e grande sem ser maior que ningu\u00e9m. Amanh\u00e3 vai ser maior!<\/p>\n<p style=\"text-align:right\">* Henrique Gl\u00fcck \u00e9 integrante do Das Lutas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Henrique Gluck * &#8220;H\u00e1 algo novo nascendo nas redes sociais, as digitais e as de corpo presente, que tamb\u00e9m est\u00e3o se transformando em experimenta\u00e7\u00f5es para novas formas de autoprodu\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o coletivas. \u00c9 a tecnologia usada como ferramenta para novos encontros, e a pot\u00eancia desses encontros \u00e9 o fortalecimento de redes que v\u00e3o diversificando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7757,"featured_media":504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-493","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-para-seguir-lutando"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/493","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7757"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=493"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/493\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=493"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=493"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=493"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}