{"id":696,"date":"2013-10-24T17:05:48","date_gmt":"2013-10-24T20:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/daslutas.wordpress.com\/?p=696"},"modified":"2013-10-24T17:05:48","modified_gmt":"2013-10-24T20:05:48","slug":"a-vida-ou-a-vidraca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/?p=696","title":{"rendered":"A vida ou a vidra\u00e7a?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:center\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1385380_652560228117308_935591714_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-698 aligncenter\" alt=\"1385380_652560228117308_935591714_n\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1385380_652560228117308_935591714_n.jpg?w=300\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1385380_652560228117308_935591714_n.jpg 960w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1385380_652560228117308_935591714_n-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>* Por Henrique Gluck &#8211; Coletivo Das Lutas<\/p>\n<p>* Graffiti de Carlos Contente<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 O Rio de Janeiro vive hoje uma onda neo desenvolvimentista que prepara a cidade para ser uma capital global, ou seja, a cidade est\u00e1 sendo reordenada para os grandes eventos, e os grandes neg\u00f3cios que acompanham tais transforma\u00e7\u00f5es vem regados, al\u00e9m de petr\u00f3leo, de sangue e de l\u00e1grimas dos cariocas. A pol\u00edtica econ\u00f4mica conduz a mudan\u00e7a estrutural, empres\u00e1rios e o governo sentam para discutir o futuro da cidade que aspira ser um balne\u00e1rio para realiza\u00e7\u00e3o de grandes contratos financeiros para a elite global e a elite emergente do pa\u00eds.\u00a0<b>O programa de mudan\u00e7as \u00e9 anunciado com entusiasmo pela m\u00eddia corporativa, que alimenta uma ilus\u00e3o de que estamos avan\u00e7ando na dire\u00e7\u00e3o certa. Mas tal ilus\u00e3o n\u00e3o se sustenta no cotidiano da cidade, onde os corpos s\u00e3o submetidos a uma biopol\u00edtica racista e violenta, que se manifesta na militariza\u00e7\u00e3o das favelas, quilombolas e terras ind\u00edgenas (\u00edndices alarmantes flagram o genoc\u00eddio de jovens negros e \u00edndios em todo o pa\u00eds), mas tamb\u00e9m nas remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas que violam direitos constitucionais e humanos (mais de 11 mil fam\u00edlias sem casa), no \u201cChoque de Ordem\u201d que massacra os ambulantes diariamente, nas interna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias em verdadeiros dep\u00f3sitos humanos, onde usu\u00e1rios de drogas e moradores de rua s\u00e3o amontoados sem assist\u00eancia alguma. Tudo isso em nome do \u201cdesenvolvimento\u201d.<\/b>\u00a0\u00a0A mentira \u00e9 contada todos os dias nas novelas, nos notici\u00e1rios que parecem fazer muito bem o marketing da higieniza\u00e7\u00e3o da cidade, lan\u00e7ando um olhar que confunde o que \u00e9 mimetizado na tela com a verdade que grita nas ruas, amortecendo assim parte de toda a viol\u00eancia desse processo pelo qual passa a cidade. Mas a verdade \u00e9 dura e corta a carne de todos, todos os dias. Basta pegar um \u00f4nibus lotado e pagar a passagem vergonhosamente cara para lembrar que d\u00f3i viver nessa cidade, onde 8 horas de trabalho se transformam em quase 12 h, somando-se o deslocamento em transportes de p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. Basta tamb\u00e9m precisar de assist\u00eancia m\u00e9dica ou de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica para perceber que se isso que aqui acontece est\u00e1 bom para algu\u00e9m, esse algu\u00e9m com certeza n\u00e3o est\u00e1 entre a maioria de n\u00f3s. Essa cidade que planejam para n\u00f3s n\u00e3o \u00e9 a nossa cidade, n\u00e3o \u00e9 uma cidade democr\u00e1tica. O flagrante agenciamento entre o p\u00fablico e o privado inviabiliza as possibilidades de democracia e nos desafia a radicalizar o que ela expressa como sistema pol\u00edtico mais amplo na afirma\u00e7\u00e3o das liberdades e da produ\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que espanta n\u00e3o \u00e9 quando um Black Bloc quebra uma vidra\u00e7a, assustador \u00e9 pensarmos em toda essa viol\u00eancia cotidiana que enfrentamos e permanecer em sil\u00eancio, resignados,\u00a0<b>os rostos retorcidos na volta do trabalho para casa, faz pensar que todo coletivo cheio, no Rio de Janeiro, tem um pouco de navio negreiro e que a escravid\u00e3o mudou de nome pra levar mais gente no mesmo barco. N\u00e3o obstante podemos observar tamb\u00e9m que toda ocupa\u00e7\u00e3o tem um qu\u00ea de quilombo e a resist\u00eancia \u00e9 um fogo que sempre esteve aceso. No entanto, no lugar das grades e das correntes temos as d\u00edvidas e a financeiriza\u00e7\u00e3o da vida<\/b>, que nos encurrala entre a promessa que n\u00e3o podemos cumprir e a vidra\u00e7a quebrada, entre a d\u00edvida infinita e a liberdade por tr\u00e1s dessa pris\u00e3o de vidro. Quebrar a vidra\u00e7a de um banco \u00e9 como quebrar uma corrente que parece invis\u00edvel, mas que nos aperta os pulsos todos os dias a nos imobilizar silenciosamente.\u00a0<b>S\u00f3 nos resta dizer n\u00e3o a mais cem anos de servid\u00e3o onde a for\u00e7a coletiva \u00e9 exaurida para o gozo de privilegiados enquanto o povo \u00e9 queimado como combust\u00edvel para essa m\u00e1quina terr\u00edvel que captura a energia da vida para a l\u00f3gica vazia do lucro e do consumo.<\/b>\u00a0<b>As linhas de for\u00e7a est\u00e3o sendo redistribu\u00eddas e h\u00e1 um excesso, algo que extrapola para al\u00e9m da ordem, \u00e9 a multid\u00e3o que se configura na emerg\u00eancia das vozes minorit\u00e1rias, exclu\u00eddas desse projeto de cidade e de mundo.<\/b>\u00a0Essa for\u00e7a produtiva e potente que escapa, vai \u00e0s ruas muitas vezes como for\u00e7a bruta que destr\u00f3i as margens de um sistema que comprime as possibilidades de vida para caber no fetiche da mercadoria. Essa grande energia multitudinal for\u00e7a a passagem e aumenta o espectro pol\u00edtico democr\u00e1tico, mas em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria vem toda uma viol\u00eancia estatal-corporativa-policial para sufocar o esfor\u00e7o vital que nasce nas manifesta\u00e7\u00f5es.\u00a0<b>Novas formas de ser e estar no mundo, n\u00e3o mais condicionadas aos mecanismos de produ\u00e7\u00e3o de subjetividade em s\u00e9rie, emergem com f\u00f4lego e vontade de produzir rupturas pol\u00edtico-sociais para que a produ\u00e7\u00e3o do comum seja m\u00faltipla e horizontal, o que significa dizer, que a democracia representativa j\u00e1 n\u00e3o abarca mais as possibilidades de participa\u00e7\u00e3o direta e ampla, isso que \u00e9 o desejo que passa a reconfigurar as linhas de for\u00e7a e a autoprodu\u00e7\u00e3o substitui a f\u00f4rma padr\u00e3o que nos \u00e9 imposta verticalmente pelos dispositivos de poder.<\/b>\u00a0A ideia de democracia real ganha for\u00e7a nas redes virtuais e presenciais, n\u00e3o se trata apenas de destrui\u00e7\u00e3o, algo se constr\u00f3i nos espa\u00e7os livres das assembleias e encontros horizontais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Duas ordens conflitantes se apresentam e uma delas amea\u00e7a tudo que \u00e9 vivo e j\u00e1 sabemos que \u00e9 insustent\u00e1vel o funcionamento dessa l\u00f3gica \u00e0 longo prazo, mas a voracidade atual do capitalismo pode acabar com tudo mesmo em curto prazo. As grandes corpora\u00e7\u00f5es se tornaram monstros incontrol\u00e1veis. Contudo, do outro lado est\u00e1 uma nova \u00e9tica instituinte que tenta encontrar seus pr\u00f3prios caminhos na medida em que se abre para a participa\u00e7\u00e3o de todos e se afirma apesar das for\u00e7as reativas que encontra no processo. S\u00e3o for\u00e7as que est\u00e3o em jogo e disputam a realidade e a cidade com seus funcionamentos diferentes e em luta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A t\u00e1tica Black Bloc \u00e9 uma resposta imediata \u00e0 a\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da m\u00eddia corporativa-Estado-policial-punitivo. O Estado, atrav\u00e9s da lei, individualiza a responsabilidade, e identifica criminalmente em uma unidade penaliz\u00e1vel os que agem fora da ordem que nos \u00e9 imposta. As condi\u00e7\u00f5es de assimetria social e econ\u00f4mica n\u00e3o s\u00e3o pesadas na balan\u00e7a da justi\u00e7a, pois o Estado defende o capital e foi moldado por este. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel criminalizar a multid\u00e3o.\u00a0<b>Os jovens que utilizam a t\u00e1tica Black bloc usam do anonimato para encontrar espa\u00e7o de liberdade em um mundo onde a identidade \u00e9 uma forma de controle.<\/b>\u00a0O homem d\u00f3cil e obediente \u00e9 moldado nas escolas e pela televis\u00e3o, sua forma\u00e7\u00e3o continua na empresa que agora se interessa em moldar o \u201cperfil\u201d dos seus colaboradores. E o mercado j\u00e1 forma especialistas em gest\u00e3o de pessoas. Entre escolher identidades produzidas em s\u00e9rie dispon\u00edveis numa prateleira ou a resigna\u00e7\u00e3o, eles escolheram o anonimato e a\u00e7\u00e3o. \u00a0Mas esses jovens sabem aquilo que n\u00e3o s\u00e3o e ali na multid\u00e3o a luta se torna impessoal e contra- hegem\u00f4nica, desafia o funcionamento ordeiro da cidade e das institui\u00e7\u00f5es produzindo interfer\u00eancia no fluxo continuo que mant\u00e9m o funcionamento urbano para a produ\u00e7\u00e3o do capital, para ent\u00e3o fazer passar uma mensagem: Chega! \u00c9 o individualismo que nos faz fracos, mas uma pot\u00eancia cresce silenciosa, redescobriram a pot\u00eancia coletiva e foram \u00e0s ruas dizer que seus corpos s\u00e3o mais que estat\u00edsticas ou n\u00fameros da economia, mais do que uma ficha policial.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 a luta contra o assujeitamento que prevalece, justamente quando os mecanismos de servid\u00e3o se sofisticaram tanto que violam os pr\u00f3prios fluxos da vida, ou seja, hoje a pretens\u00e3o de controle interfere na din\u00e2mica vital que organiza toda a vida na terra e em cada indiv\u00edduo. S\u00e3o os fluxos neuroqu\u00edmicos controlados por poderosos psicofarmacos, DNAs manipulados e patenteados para o biomercado, manipula\u00e7\u00e3o hormonal e outros artif\u00edcios de controle biopol\u00edtico que interferem na fisiologia para fazer a vida virar capital e controlar seus fluxos insubordin\u00e1veis. \u00c9 contra o controle que a vida se rebela em uma nova pol\u00edtica dos corpos. An\u00f4nima, imprevis\u00edvel, assustadora at\u00e9. A for\u00e7a da multid\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma unidade, \u00e9 composta de uma microdiversidade incr\u00edvel, mas, como tudo que \u00e9 muito pequeno para ser bem observado \u00e9 preciso usar o instrumento certo, uma lente que permita uma vis\u00e3o mais ampla e sem preconceitos, sem a trave nos olhos que a m\u00eddia corporativa coloca. H\u00e1 uma nova percep\u00e7\u00e3o de mundo emergente, as redes sociais e as novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o nos permitiram entender que podemos funcionar sem um centro que nos dite as ordens do que fazer.\u00a0<b>Entendemos que podemos nos organizar de outras maneiras mais horizontais, que podemos ser as nossas pr\u00f3prias refer\u00eancias e realizamos nossa autoforma\u00e7\u00e3o, nossa autopoiese em m\u00e1quinas semi\u00f3ticas digitais e em outros modos imprevis\u00edveis.<\/b>\u00a0Mas vamos al\u00e9m, vamos para os encontros nas ruas que nos transformam definitivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando a m\u00eddia corporativa nomeia com o termo \u201cv\u00e2ndalo\u201d algo que \u00e9 uma express\u00e3o clara de que n\u00e3o queremos esse estado de coisas \u00e9 porque o compromisso da imprensa corporativa n\u00e3o \u00e9 com a democracia e nem com a sociedade, eles t\u00eam compromisso apenas com os investidores, com o capital financeiro que nos conduz pouco a pouco ao pior dos desfechos.\u00a0<b>Para construirmos juntos os novos rumos e as novas refer\u00eancias para um novo paradigma pol\u00edtico \u00e9 necess\u00e1rio partirmos da concep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o precisamos de uma ideologia predefinida ou mapa pronto, temos que cartografar essas linhas juntos, experimentando e construindo coletivamente uma democracia real, amplamente participativa e n\u00e3o apenas representativa e restrita aos corredores das casas do Estado. Uma nova linguagem pol\u00edtica, um jogo onde as for\u00e7as pol\u00edticas estejam distribu\u00eddas sem grandes assimetrias. As bases para a verdadeira democracia real est\u00e3o sendo lan\u00e7adas agora. Avancemos certos disso.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A imprensa livre digital, as possibilidades geradas nas redes sociais, os in\u00fameros aplicativos e softwares que permitem que cada um produza seu conte\u00fado e participe da constru\u00e7\u00e3o de sentido sobre os fatos, os livros, filmes, imagens e textos virtuais que circulam na rede numa velocidade absurda afetam as subjetividades, criam novas refer\u00eancias e transformam as pessoas cada vez mais e, transformando as pessoas, transforma-se a pol\u00edtica. Logo essa onda transformar\u00e1 o mundo. A mudan\u00e7a \u00e9 inevit\u00e1vel, pode at\u00e9 ser retardada por um grande esfor\u00e7o das for\u00e7as reativas da velha ordem, mas n\u00e3o pode ser parada. Novas ideias, discursos e novas pr\u00e1ticas podem se apresentar como perigo contra a ordem dominante, \u00a0mas como \u00e9 perigosa a vida e imposs\u00edvel sem suas metamorfoses dolorosas.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1391732_10201054440257795_2046101029_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-697 aligncenter\" alt=\"1391732_10201054440257795_2046101029_n\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1391732_10201054440257795_2046101029_n.jpg?w=300\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1391732_10201054440257795_2046101029_n.jpg 960w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/10\/1391732_10201054440257795_2046101029_n-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Por Henrique Gluck &#8211; Coletivo Das Lutas * Graffiti de Carlos Contente \u00a0 \u00a0 \u00a0 O Rio de Janeiro vive hoje uma onda neo desenvolvimentista que prepara a cidade para ser uma capital global, ou seja, a cidade est\u00e1 sendo reordenada para os grandes eventos, e os grandes neg\u00f3cios que acompanham tais transforma\u00e7\u00f5es vem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7757,"featured_media":698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-696","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-resistencias-esteticas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/7757"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=696"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/696\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=696"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}