{"id":742,"date":"2013-12-13T17:06:58","date_gmt":"2013-12-13T20:06:58","guid":{"rendered":"http:\/\/daslutas.wordpress.com\/?p=742"},"modified":"2013-12-13T17:06:58","modified_gmt":"2013-12-13T20:06:58","slug":"as-remocoes-a-opiniao-e-a-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/?p=742","title":{"rendered":"As remo\u00e7\u00f5es, a Opini\u00e3o e a Pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/moradianc3a3oc3a9mercadoria-590x393.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-743\" alt=\"moradian\u00e3o\u00e9mercadoria-590x393\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/moradianc3a3oc3a9mercadoria-590x393.jpg?w=300\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/moradianc3a3oc3a9mercadoria-590x393.jpg 590w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/moradianc3a3oc3a9mercadoria-590x393-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por Ricardo Gomes e Bruno Stehling<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de seguran\u00e7a do estado do Rio, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, deu uma entrevista \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es globo dizendo que era precisa enfrentar o tabu das remo\u00e7\u00f5es. \u201cHoje, remo\u00e7\u00e3o \u00e9 tabu, \u00e9 palavra proibida, porque colocaram ideologia no debate. Hoje h\u00e1 conhecimento, tecnologia e solu\u00e7\u00e3o urban\u00edstica para dar esta guinada definitiva\u201d. De repente, temos a seguinte situa\u00e7\u00e3o plantada: em nenhum momento houve um enfrentamento da quest\u00e3o remo\u00e7\u00e3o, e o sec respons\u00e1vel pela implementa\u00e7\u00e3o das UPPs (um projeto de seguran\u00e7a associado \u00e0 l\u00f3gica expropriadora da economia dos grandes eventos) pode discursar livremente para resolver a quest\u00e3o. Tudo o que foi feito antes seria pura \u2018ideologia\u2019 \u2013 alega justamente uma m\u00e1quina ideol\u00f3gica de manuten\u00e7\u00e3o da ordem social excludente. Acreditamos que n\u00e3o fa\u00e7a falta ressaltar a ironia dessa situa\u00e7\u00e3o. <b>Numa mesma tacada de ret\u00f3rica, o secret\u00e1rio de seguran\u00e7a e as organiza\u00e7\u00f5es globo destituem lutas, discursos e conhecimentos que foram gerados justamente a partir da resist\u00eancia das comunidade que sofreram com remo\u00e7\u00e3o.<\/b> Destitui, inclusive, planos e projetos constru\u00eddos em parcerias com universidades, projetos que receberam pr\u00eamios internacionais. Mas, n\u00e3o, tudo seria pura ideologia. A sociedade de controle se caracteriza por esta tentativa constante de formatar uma opini\u00e3o \u00fanica em detrimento da constru\u00e7\u00e3o coletiva e conflituosa de um novo conhecimento, arrancado das lutas. O Estado age para que esta opini\u00e3o seja executada em detrimento de qualquer outro desejo. A democracia se transformou em um campo aberto para as imposi\u00e7\u00f5es dos grupos de poder que controlam as institui\u00e7\u00f5es, que implementam a\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es. A sempre cambaleante legitimidade democr\u00e1tica \u00e9 perseguida a cacetadas por pol\u00edcias e m\u00eddia. Mas, o mais importante \u00e9 que este campo flex\u00edvel possibilita que as lutas sejam travadas por articula\u00e7\u00e3o direta, sem os grupos tradicionais de media\u00e7\u00e3o. Assim, a comunidade da Vila Aut\u00f3dromo, por exemplo, consegue mobilizar uma quantidade relevante de intelectuais, t\u00e9cnicos e militantes para criar projetos contra os processos de remo\u00e7\u00e3o, para colocar esses processos em suspens\u00e3o, fazendo sua articula\u00e7\u00e3o com os processos de luta pela cidade que est\u00e3o em curso no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o, o conhecimento serve para dar alicerce ao discurso do poder. Vemos isso tamb\u00e9m nas manifesta\u00e7\u00f5es, quando colunistas tanto da esquerda quanto da direita criminalizavam os manifestantes. Hoje, num blog de esquerda, o blogueiro progressista falava de \u2018movimentos das placas tect\u00f4nicas\u2019 sobre a resposta da milit\u00e2ncia do PT diante da pris\u00e3o do acusados no julgamento da a\u00e7\u00e3o penal 470. Ele disse que havia um pouco do calor das milh\u00f5es de pessoas que sa\u00edram \u00e0s ruas, nos meses de junho a julho, gritando um refr\u00e3o desconcertante:<\/p>\n<p>\u201cA verdade \u00e9 dura, a Globo apoiou a ditadura!\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 absolutamente ultrajante que se fale em movimenta\u00e7\u00e3o de placas tect\u00f4nicas num caso como esse, quando em junho os manifestantes eram criminalizados por boa parte dessa mesma referida milit\u00e2ncia. Ainda tem a coragem de dizer que se trataria do calor das ruas. Curioso como os mais diversos objetos s\u00e3o articulados por m\u00eddias de diferentes alcances em fun\u00e7\u00e3o da manuten\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder. Em certos momentos, usando o conhecimento para isso, em outros, utilizando da calmaria tempor\u00e1ria das ruas para elogios convenientes e manipuladores.<\/p>\n<p>No caso do secret\u00e1rio com as organiza\u00e7\u00f5es globo, vemos o uso de uma suposta objetividade do conhecimento servindo objetivos de domina\u00e7\u00e3o. E sobre isso, \u00e9 importante ressaltar que todos os processos de remo\u00e7\u00e3o que aconteceram at\u00e9 hoje foram perpassados por uma s\u00e9rie de irregularidades t\u00e9cnicas e pelo envolvimento de evidentes interesses econ\u00f4micos na decis\u00e3o dos lugares e formas da remo\u00e7\u00e3o. Portanto, o que h\u00e1 na fala do secret\u00e1rio \u00e9 constru\u00e7\u00e3o de rede fechada, ou melhor, justamente a forma\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos no tempo em que as opini\u00f5es s\u00e3o formadas segundo interesses majorit\u00e1rios. Trata-se de liberdade individual e controlada no fluxo da liberdade capitalista, ou seja, modula\u00e7\u00e3o de lugares a serem preenchidos, ressoar de determinados saberes selecionados para fazer funcionar estes lugares de submiss\u00e3o volunt\u00e1ria. Ao mesmo tempo, impondo aos corpos pobres a mais violenta e arbitr\u00e1ria remo\u00e7\u00e3o, a mais violenta repress\u00e3o policial. N\u00e3o nos enganemos, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que essa fala seja do sec de seguran\u00e7a e n\u00e3o do secret\u00e1rio de habita\u00e7\u00e3o. O controle dos corpos em revolta \u00e9 t\u00e3o importante quanto a imposi\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es-verdades do aparato de poder. Obviamente se trata tamb\u00e9m de politicagem. Ano que vem tem elei\u00e7\u00e3o, mas sobre isso preferimos n\u00e3o nos alongar, j\u00e1 que \u00e9 um assunto que n\u00e3o nos representa.<\/p>\n<p>Enfim, v\u00e1rias comunidades seguem lutando contra esta forma de viol\u00eancia que \u00e9 o controle das narrativas, inclusive narrativas cient\u00edficas, uma luta pela possibilidade de decidir a cidade que queremos. Este \u00e9 o grande desejo, construir, produzir a cidade que queremos, os direitos que desejamos e precisamos, e se para isso teremos que enfrentar a verdade policialesca dos poderes institu\u00eddos e organiza\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas faremos, ou melhor, j\u00e1 est\u00e1 sendo feito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Gomes e Bruno Stehling O secret\u00e1rio de seguran\u00e7a do estado do Rio, Jos\u00e9 Mariano Beltrame, deu uma entrevista \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es globo dizendo que era precisa enfrentar o tabu das remo\u00e7\u00f5es. \u201cHoje, remo\u00e7\u00e3o \u00e9 tabu, \u00e9 palavra proibida, porque colocaram ideologia no debate. 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