{"id":745,"date":"2013-12-16T20:29:37","date_gmt":"2013-12-16T23:29:37","guid":{"rendered":"http:\/\/daslutas.wordpress.com\/?p=745"},"modified":"2013-12-16T20:29:37","modified_gmt":"2013-12-16T23:29:37","slug":"o-processo-de-remocao-da-aldeia-maracana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/?p=745","title":{"rendered":"O Processo de remo\u00e7\u00e3o da Aldeia Maracan\u00e3"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_758\" style=\"width: 557px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/aldeia_marakana-quer-matar-um-povo-roube-lhes-a-cultura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-758\" class=\"size-full wp-image-758\" alt=\"Aldeia Maracan\u00e3. Parede interna. Quer matar um Povo? Roube-lhes a cultura.\" src=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/aldeia_marakana-quer-matar-um-povo-roube-lhes-a-cultura.jpg\" width=\"547\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/aldeia_marakana-quer-matar-um-povo-roube-lhes-a-cultura.jpg 610w, https:\/\/daslutas.noblogs.org\/files\/2013\/12\/aldeia_marakana-quer-matar-um-povo-roube-lhes-a-cultura-300x204.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-758\" class=\"wp-caption-text\">Aldeia Maracan\u00e3. Parede interna. Quer matar um Povo? Roube-lhes a cultura.<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Das Lutas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">16\/dez\/2013<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A Aldeia Maracan\u00e3 foi invadida pelo batalh\u00e3o de choque da pol\u00edcia militar \u00e0s 7h da manh\u00e3 desta segunda feira. Segundo relatos, a resist\u00eancia \u00e0s amea\u00e7as de invas\u00e3o policial e uma a\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia federal teriam impedido que a opera\u00e7\u00e3o se efetivasse no domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 bom que se diga que a pol\u00edcia federal fala em nome do governo federal, ou seja, o \u00f3rg\u00e3o governamental destacado para dialogar com os \u00edndios foi a pol\u00edcia. Fosse esse um caso, j\u00e1 seria grave o suficiente, mas h\u00e1 muito que essa se tornou a forma padr\u00e3o de \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d de conflitos. Por a\u00ed pode-se medir o desejo de abertura efetiva de di\u00e1logo e a possibilidade concreta de salvaguardar os direitos ind\u00edgenas. Sendo otimistas, podemos dizer que a ministra de direitos humanos trabalha com uma lentid\u00e3o condescendente tanto com a a\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias nas capitais, quanto com a a\u00e7\u00e3o assassina das mil\u00edcias que agem contra os \u00edndios no interior do pa\u00eds. Sendo realistas, devemos dizer que o trabalho lento e\/ou inexistente da ministra do diretos humanos \u00e9 obra de um governo federal que destr\u00f3i os direitos em prol das grandes obras, dos grandes neg\u00f3cios, de uma macroeconomia que, sabemos hoje, vai de mal a pior. N\u00e3o h\u00e1 novidade, a senadora Katia Abreu e a bancada ruralista tomaram a frente nos trabalhos da Comiss\u00e3o de Agricultura com o esp\u00edrito que a pr\u00f3pria senadora faz quest\u00e3o de frisar: <i>\u201cDepois que n\u00f3s finalizarmos a quest\u00e3o ind\u00edgena, eu quero saber qual \u00e9 o outro tema que eles v\u00e3o inventar para poder atrapalhar a agropecu\u00e1ria brasileira\u201d<a title=\"\" href=\"#_edn1\"><b>[1]<\/b><\/a><\/i>. N\u00e3o h\u00e1 engano ou inoc\u00eancia, tudo est\u00e1 \u00e0s claras e em conson\u00e2ncia com o projeto do Brasil \u201cGrande\u201d do governo federal. Hidrel\u00e9tricas no interior do Par\u00e1, com suas irregularidades e arbitrariedades, Aldeia Maracan\u00e3 na capital do Rio, e a viol\u00eancia de suas desocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Especificamente no caso da Aleia Maracan\u00e3 h\u00e1 um componente a mais. Primeiro, essa ocupa\u00e7\u00e3o existe h\u00e1 mais de 7 anos como um espa\u00e7o onde os \u00edndios viviam e praticavam seus rituais e trabalhos. Durante esse tempo, v\u00e1rios projetos foram desdobrados pelos \u00edndios em parcerias com governos e universidades. Os governos recusaram todos os projetos em que os \u00edndios mantinham a posse da terra e a autonomia sobre as a\u00e7\u00f5es desenvolvidas no local. Depois de privatizar o est\u00e1dio do Maracan\u00e3, o governo do estado estava pronto para concretizar os acordos feitos com as empreiteiras e iria derrubar uma escolar municipal, um centro de treinamento para atletismo e esportes aqu\u00e1ticos e a Aldeia Maracan\u00e3. Houve muita resist\u00eancia por parte da popula\u00e7\u00e3o. No meio das jornadas de junho, \u00edndios e apoiadores reocuparam a Aldeia. Numa jogada para tentar salvar sua avalia\u00e7\u00e3o popular, que na \u00e9poca estava baix\u00edssima, o governador voltou atr\u00e1s e disse que n\u00e3o iria remover nem a escola municipal, nem o centro de treinamento, e que iria dialogar abertamente com os \u00edndios atrav\u00e9s da secret\u00e1ria de cultura, Adriana Rattes. Os termos da negocia\u00e7\u00e3o: o governo manteria os ocupantes sob sua tutela. A gest\u00e3o ficaria nas m\u00e3os da secretaria de cultura e os \u00edndios operariam apenas como \u201cconsultores\u201d do espa\u00e7o cultural, sem poder sobre terra, a\u00e7\u00f5es ou projetos desenvolvidos l\u00e1 \u2013 em poucas palavras, o projeto do governo evidenciava uma forma meramente mercantilista de se compreender a cultura ind\u00edgena. A grande maioria que vivia na Aldeia n\u00e3o aderiu \u00e0 proposta e seguiu resistindo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A Aldeia seguiu criando mil outras formas de se manter viva dentro da ocupa\u00e7\u00e3o, desde de aulas de Tupi, exibi\u00e7\u00e3o de filmes, at\u00e9 a luta para conseguir apoios a um projeto maior, a Universidade Ind\u00edgena \u2013 um projeto feito em parceira com universidades e que poderia ser levado \u00e0 frente dentro de um plano urbano com verdadeiros legados humanit\u00e1rios para a popula\u00e7\u00e3o, por exemplo. Dentro desse processo, a Aldeia tra\u00e7ou alian\u00e7as com as diversas assembleias populares que tinham se espalhados pela cidade, se transformando em uma esp\u00e9cie de refer\u00eancia de resist\u00eancia e cria\u00e7\u00e3o colaborativa. Mesmo enfrentando v\u00e1rios problemas internos, soube se manter ativa e propositiva diante dos inimigos externos que contavam com sua paralisia. Essa paralisia n\u00e3o ocorreu, e o governo usou o \u00fanico meio que sabe, a viol\u00eancia gratuita e ilegal, patrocinada e permitida pelo governo federal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Durante uma reuni\u00e3o da FIP, Frente Independente Popular, realizada na Aldeia Maracan\u00e3<a title=\"\" href=\"#_edn2\">[2]<\/a> no \u00faltimo domingo, uma das empresas que administrar\u00e3o o Complexo do Maracan\u00e3 fez uma primeira tentativa de destruir um pr\u00e9dio anexo \u00e0 aldeia. A Aldeia respondeu e tentou parar a destrui\u00e7\u00e3o, o que se seguiu foi, como j\u00e1 dissemos, a a\u00e7\u00e3o truculenta da pol\u00edcia militar, numa manh\u00e3 de segunda feira, com agress\u00f5es a \u00edndios e apoiadores, e a retirada de quase todos os \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No momento em que escrevemos este texto, um dos \u00edndios segue resistindo, em cima de uma \u00e1rvore, numa \u00faltima forma de sobrepor a viol\u00eancia estatal, tentando de maneira pac\u00edfica continuar no espa\u00e7o sagrado que lhe pertence. N\u00e3o \u00e9 preciso lembrar que a terra tem outro valor para os \u00edndios. A posse da terra est\u00e1 ligada \u00e0 cultura de um povo, ao seu modo de vida e sobreviv\u00eancia, n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00f5es com a ideia de propriedade privada. Por isso falamos em defesa da posse da terra sagrada ind\u00edgena.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nesse e em outros conflitos, n\u00e3o basta dizer que a lei est\u00e1 ao lado do Estado, que ela serve a este e \u00e0 elite econ\u00f4mica. O que se torna fundamental \u00e9 perceber que mesmo os avan\u00e7os alcan\u00e7ados por dentro das leis s\u00e3o relativizados ou simplesmente jogados fora quando o Estado \u00e9 quem est\u00e1 em um dos lados do conflito. A invas\u00e3o da Aldeia Maracan\u00e3 e a desocupa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de violenta, foi feita sem nenhum respaldo legal. N\u00e3o havia mandado judicial para isso, o que \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio nestes casos, segundo a lei que dizem defender. Toda ilegalidade praticada pelo Estado \u00e9 justificada ou aceita, n\u00e3o por assumirem a arbitrariedade e viol\u00eancia das leis, mas pelo desejo pela perman\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es de poder, pela aceita\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de qualquer diferen\u00e7a, desde que ela proteja a \u201c<i>minha ida ao trabalho, a<\/i> circula\u00e7\u00e3o do <i>meu carro<\/i>\u201d. Para problematizar concretamente as circunst\u00e2ncias que permitem essas viol\u00eancias, \u00e9 sempre necess\u00e1rio um pouco mais de esfor\u00e7o colaborativo e desejo real por outra organiza\u00e7\u00e3o social concreta. Esse desejo genocida que se enrosca nas grandes obras \u00e9 alimentado e alimenta o modo de vida do homem dito \u201cde bem\u201d. N\u00e3o compactuamos com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os \u00edndios est\u00e3o dispostos a lutar por suas culturas e por sua sobreviv\u00eancia, tanto aqui na Aldeia Maracan\u00e3, quanto nas terras demarcadas e as que est\u00e3o para ser demarcadas pa\u00eds adentro. Apoiamos a luta dos \u00edndios, lutaremos com eles onde for preciso e como for poss\u00edvel. Acreditamos que a viol\u00eancia seletiva da lei deve ser extirpada sim, mas em prol de quem luta por direitos e n\u00e3o em prol da macro economia e sua maquina violenta de articular desejos fascistas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Notas<\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div style=\"text-align:justify\">\n<p style=\"text-align:left\"><a title=\"\" href=\"#_ednref1\">[1]<\/a> http:\/\/racismoambiental.net.br\/2013\/12\/o-gatilho-da-ofensiva-ruralista-por-luisa-molina\/<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align:left\"><a title=\"\" href=\"#_ednref2\">[2]<\/a> http:\/\/www.anovademocracia.com.br\/blog\/rj-resistencia-marca-o-vitorioso-encontro-da-fip-na-aldeia-maracana\/<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Das Lutas 16\/dez\/2013 A Aldeia Maracan\u00e3 foi invadida pelo batalh\u00e3o de choque da pol\u00edcia militar \u00e0s 7h da manh\u00e3 desta segunda feira. 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